Te quiero America

Te quiero America
27/08/2007

O último episódio



22/08/2007

Conhecendo o Peru



Clique na foto abaixo e viaje pelo Peru junto com Maria e Francisco!

22/08/2007

No estádio



Em nossa história, Maria e Francisco se encontrariam em um lotado jogo de futebol em Santiago do Chile. Haveria dois jogos próximos à data de nossa passagem por lá. Uma final de campeonato onde o Colo-Colo era o grande favorito e um jogo mais ameno do Cobreloa contra o Unión Española. Fomos desaconselhados a ir à final, pois a guerra nos estádios do Chile parece ser igual ou pior que as nossas. “Mui peligroso” - era o que todos diziam.


O que não contávamos era que, ganhando o Colo-Colo no dia anterior, estaria decidido o jogo do Cobreloa. Resultado: estádio menos perigoso, mas vazio. Me enfiava nas minguadas multidões formadas por famílias ou pequenas torcidas organizadas para à câmera parecer que procurava Francisco no meio da multidão. Passava me espremendo entre os quinze ou vinte fiéis torcedores de uma torcida organizada do Cobreloa que, ainda animados, cantavam acompanhados de um bumbo os seus gritos de guerra. Parava no meio deles e finalmente avistava e gritava pelo Francisco. “Que é que esta mulher tá fazendo aqui?” - provavelmente pensavam.


Se tinha algum problema no enquadramento, eu passava de novo, aproveitando aquela que era a maior aglomeração do estádio. Uma, duas, três vezes, sempre no final gritando “Francisco!”, o que deixava os mais curiosos procurando pelo tal Francisco na arquibancada vazia.


Na quarta vez, quando tomei fôlego, a torcida em peso gritou junto comigo: “Francisco!”. Tivemos que ir pra quinta vez, pois não agüentei e caí na gargalhada. Desta vez, com tudo combinado com a nossa torcida figurante.

20/08/2007

A passagem pelo Chile e pelo Peru



16/08/2007

Sonhemos o impossível



O caminho pra La Higuera foi a maior aventura da viagem. De Santa Cruz, seis horas até Vallegrande. Dormimos em Vallegrande num hotelzinho até honesto, mas sem aquecedor ou cobertores que pudessem nos livrar dos dois graus marcados no termômetro de casinha da recepção. Depois de um dia de estrada, a cabeleira de Maria era um pó só. O chuveiro elétrico era daqueles que jorram pra todos os lados, molham todo o banheiro e só pingam na sua cabeça. Arrisquei. Com a cabeça cheia de shampoo, fui surpreendida pelo fim do barulhinho anunciando a água fria. Lembrem-se: dois graus. Tentei esquentar de novo a água e levei um bom choque na torneira. Comecei a gritar debaixo da água fria e, pulando, tirei o resto de espuma do cabelo. Parei de tremer uma hora depois vestida com todas as malhas de lã que Maria tinha na mala.

No dia seguinte, pegamos uma estrada de terra subindo a montanha pra La Higuera. Viagem de três horas que durou cinco. Depois de muito tempo entre o barranco e o precipício, nos deparamos com a estrada caída. “Tem um caminho alternativo fazendo a volta no morro.” – nos disse o trabalhador. Mais uma hora de viagem, sendo que agora nos espremíamos para a esquerda no banco de trás tentando não olhar o precipício. Graças a Deus, só tivemos que disputar a estrada com algumas vacas e burricos, pois dois carros jamais passariam lado a lado. A sorte deste dia foi que ninguém resolveu sair de La Higuera. Nos concentramos nas corridas três horas que nos restavam para filmar no pequeno povoado e fomos embora. Voltamos a pé e encontramos as caminhonetes do outro lado da estrada caída, não sem antes escalar o barranco. Temíamos pegar a estrada à noite, mas não teve jeito. Anoiteceu e choveu. Deslizando no barro à beira do precipício rezamos pra todos os santos, mas talvez tenha sido mesmo San Ernesto de la Higuera, como é conhecido por lá Che Guevara, que tenha nos ajudado a chegar sãos e salvos a Vallegrande (foto). Se para nós tinha sido uma aventura, imagina para ele. “E pensar que Che passou por aqui!” Esta frase virou um bordão na nossa equipe e na Amazônia colombiana ainda a repetíamos. Estar em La Higuera, ver os restos da lavanderia do hospital onde lavaram o corpo morto do Che em Vallegrande é mesmo uma experiência para nunca mais esquecer. Estar tão perto de uma história de fé em um sonho, de crença absoluta em um ideal, só nos faz mais fortes. Nosso TE QUIERO AMÉRICA foi um sonho, uma equipe guerreira, um projeto ousado que a TV Globo teve a coragem de fazer. Contarei a meus netos estas histórias e não deixarei de ensinar-lhes as sábias palavras do comandante: “SEJAMOS REALISTAS, SONHEMOS O IMPOSSÍVEL.”

15/08/2007

Fotos da Bolívia



Clique na foto abaixo e veja uma galeria de imagens das gravações da série na Bolívia!




14/08/2007

"Hay" que se virar



Chegamos à Bolívia por Santa Cruz de la Sierra. No dia seguinte, faríamos uma viagem pelas montanhas para Vallegrande e La Higuera, povoado onde foi encurralado e morto Che Guevara.

Nosso produtor local, José Vélez (foto), foi nos buscar no aeroporto. José é ator, produtor de cinema, dirigia uma das caminhonetes de nossa expedição e tem um programa de sucesso na TV onde apresenta atrações culturais ao vivo. Pediu pra sair mais cedo naquele sábado, pois precisava nos pegar no aeroporto. Cassiano, o segundo motorista, era engenheiro agrônomo e Julio, o terceiro, contador. Pelo jeito, na Bolívia, “hay” que bater escanteio e correr pra cabecear se quiser pagar suas contas. E deve mesmo ser assim. A Bolívia é um dos países mais pobres da América latina.

14/08/2007

A Solidão da América Latina



No fim do último episódio, usamos um trecho do discurso de aceitação do Prêmio Nobel de Lietratura em 1982 do escritor colombiano Gabriel García Márquez.

"... Frente à opressão, ao saqueio e ao abandono, nossa resposta é a vida. Nem os dilúvios nem as pestes, nem as fomes nem os cataclismos, nem sequer as guerras eternas através dos séculos e séculos têm conseguido reduzir a vantagem tenaz da vida sobre a morte."

Clique aqui para ler o discurso completo.

13/08/2007

Maria e Francisco na Bolívia



09/08/2007

Muita história para pouco tempo



Nossos quadros no Fantástico sempre transitaram no limite entre ficção e realidade. Nosso TE QUIERO AMÉRICA é nossa investida mais arriscada neste limite. Queríamos fazer um programa sobre a América Latina mostrando o cotidiano, a vida correndo e não simplesmente esse ou aquele ponto turístico. Nossos personagens não seriam viajantes que diriam o tempo todo “olha que legal”. Estariam ali servindo à história e ao mesmo tempo levando o espectador pra passear. Comeriam num restaurante, pediriam emprego em um mercado ou andariam de ônibus. O espectador não viajaria, mas sentiria a sensação daquele lugar. Não sei se chegamos a atingir isso.

Leio os comentários no nosso blog e tenho até vontade de chorar. Muita gente reclamando que é curto demais. Eu também acho! No meio da viagem, nós já prevíamos que o tempo seria pouco para falarmos de tudo que Maria e Francisco passavam nas filmagens. Aconteceram muitas coisas que não estavam previstas no roteiro. Como lidávamos com a realidade, precisávamos deixá-la acontecer no seu tempo. E o tempo da TV é curto demais para uma realidade tão exuberante como a de nossa América.

Mas assim vamos. Temos a esperança de ver lançado um DVD, onde possamos mostrar um pouco mais do que nossos personagens viveram no meio dessa atribulada história de amor. Mas o que eu gostaria mesmo é que muitos dos que nos viram na TV, fizessem como o Francisco: pusessem a mochila nas costas e saíssem por aí descobrindo a América.

08/08/2007

Fotos do Paraguai



Clique na foto abaixo e veja uma galeria especial de imagens das gravações da série no Paraguai!





07/08/2007

A frase do último episódio



“Nasci, cresci, conheci o mundo na América do Sul. Desde pequeno buscava permanentemente respostas à mesma pergunta: por que estamos condenados a sofrer tantas privações? A história da América do Sul é um contínuo curso e recurso entre as classes dominantes e oprimidas. O ciclo violência/repressão é parte do resultado desta equação sem incógnitas” (Augusto Roa Bastos, em entrevista à revista Época, em 2003)

Augusto Roa Bastos (1917 – 2005) é considerado o grande nome da literatura paraguaia. Viveu anos no exílio, perseguido pelas ditaduras em seu país. No romance “Eu O Supremo”, a sua obra-prima, o autor faz um retrato do ditador José Gaspar Francia. Em 1989, Roa Bastos ganhou o Prêmio Miguel de Cervantes, o mais importante concedido a escritores de língua espanhola.

07/08/2007

Paraguai, eu voltarei!



Você já foi ao Mato Grosso? E a Goiás? Quando cheguei a Assunção, parecia que estava em um desses pedaços do Brasil. Também os paraguaios são muito parecidos com os brasileiros e nos tratam como “hermanos”. Preconceito meu, achei que ia chegar na terra da muamba, do rolo, dos eletrônicos baratos, do uísque falsificado e chego na terra dos sorrisos, da música e da gentileza. O Paraguai é o único país bilíngüe da América do Sul, fala-se cotidianamente o espanhol e o guarani e compreende-se o portunhol com extrema facilidade. Adorei o Paraguai.

E como eles falam bem! Em todas as entrevistas que fazíamos, saíamos impressionados com o discurso articulado que tinham. Foi assim com Nazário, o taxista; Dona Ana, chipeira; Gerardo, o guarda da ruína de La Rosada e todos com quem conversávamos.

Quando Gerardo acabou de falar, a equipe inteira estava às lágrimas. Tinha um discurso limpo e sábio sobre a história de seu país. Um guarda-parques que, por alguns minutos, foi nosso professor de sabedoria. Me lembro de algumas partes:

“... por trás de todo paraguaio que lutava na guerra tinha uma mulher sofrendo em casa e ficando mais forte...”
A mulher paraguaia é forte até hoje. Guerreiríssima.

“...A destruição de La Rosada (fundição de ferro responsável por grande parte do desenvolvimento do país naquela época) significou a destruição de um sonho. O sonho de um país inteiro. Um país que está até hoje tentando se reerguer...”

Quando Luiz lhe perguntou se ele sentia que havia um rancor do Paraguai pelos países da Tríplice Aliança, ele disse:
“Eu acho que o Paraguai e os três países com que lutou na guerra, eu acho que os quatro países perderam. Hoje é tempo de crescer juntos e esquecer...
E esquecer. E começar de novo...”

E sorriu.

Quero voltar ao Paraguai pra conhecê-lo melhor. E conversar. E ouvir, ouvir e ouvir suas histórias. Paraguai, eu voltarei!

07/08/2007

Música paraguaia



Cala, um músico paraguaio que nós entrevistamos, ensinou ao João Miguel uma guarania linda. João me ensinou. Eu ensinei para a Batata e por aí foi. Essa música não saía da nossa cabeça. Quando víamos, estávamos cantando. João acabou cantando-a na cena em que Francisco acorda Maria e virou trilha sonora do episódio.

“Un canto a la vida tengo que cantar,
Um rezo de amor tengo que rezar,
E darle las gracias al sol que ilumina,
A la madre tierra biendecir por ti.”

O Paraguai tem músicas lindas.

07/08/2007

Veja o quarto episódio





Sobre o blog

Denise Fraga vive uma história de amor e aventura que tem como cenário a América do Sul.

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